O que os estudantes pensam sobre a Educação?

Melhorias diretamente ligadas ao ensino e à aprendizagem lideram as expectativas de pelo menos um quarto dos estudantes brasileiros do ensino médio em relação aos governos. Para esse grupo, a qualidade educacional caminha lado a lado com a atuação e a valorização do professor dentro das salas de aula.

O levantamento da pesquisa O que os estudantes pensam sobre a Educação? ouviu 5.296 alunos do ensino fundamental II (6º ao 9º ano) e do ensino médio em todas as regiões do país. De acordo com os participantes, as mudanças prioritárias devem contemplar:

  • Aulas mais dinâmicas e diversificadas;
  • Novas metodologias em sala de aula;
  • Capacitação contínua de professores;
  • Redução da ausência de docentes.

A iniciativa foi encomendada ao Instituto DataFolha por uma coalizão de fundações e institutos, incluindo Itaú Social, Lemann, Telefônica Vivo, Natura, Sonho Grande, Unibanco e Todos Pela Educação. Entre os eixos investigados estão o processo de aprendizagem, o papel dos educadores, a educação profissional, o uso de tecnologias e o modelo de tempo integral.

O desempenho e o papel central dos professores

Os dados do estudo evidenciam que a percepção dos jovens entre 12 e 21 anos sobre a clareza com que os professores explicam os conteúdos impacta diretamente a avaliação geral da instituição de ensino. Entre os alunos que afirmam que os docentes explicam bem, 75% classificam a escola como boa ou ótima. O índice despenca para 48% entre os que relatam dificuldades na explanação dos conteúdos.

Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, aponta que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas exigências para uma boa escola.

“É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem”, destaca, pontuando que o cenário de início de novos mandatos governamentais exige repactuação de compromissos e aceleração dos indicadores de qualidade.

O estudo também mapeou a motivação docente na visão dos alunos: no fundamental II, 78% avaliam que os professores estão motivados, número que recua para 69% no ensino médio. Além disso, a falta de professores em determinadas disciplinas é uma queixa recorrente, apontada por 66% dos alunos do ensino médio e 61% do fundamental II.

Ensino técnico, tecnologia e tempo integral

Outros pilares avaliados no levantamento revelam anseios e gargalos estruturais da rede de ensino:

  • Educação Profissional: Mais de 90% dos estudantes consideram fundamental ter acesso a cursos técnicos ou profissionalizantes durante essa etapa escolar. O dado contrasta com a realidade do Censo Escolar 2025, que aponta apenas 20% dos alunos do ensino médio matriculados na modalidade.
  • Cenário Tecnológico: A tecnologia já faz parte da rotina escolar para 70% dos alunos, que utilizam recursos com pelo menos uma frequência semanal. A Inteligência artificial (IA) também figura nos hábitos de estudo de 71% dos jovens. Contudo, quase um terço dos estudantes avalia que os professores ainda não estão plenamente preparados para o uso pedagógico das tecnologias.
  • Escola em Tempo Integral: Alunos inseridos no regime integral avaliam a escola de forma mais positiva (74% consideram boa ou ótima) em comparação aos matriculados no ensino regular (68%). Entre os benefícios apontados estão o reforço nos estudos para vestibulares e Enem, além de atividades artísticas e esportivas. Entre os estudantes do ensino médio fora do tempo integral, 20% relatam conciliar os estudos com atividades remuneradas.

Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, os resultados demonstram que os jovens possuem maturidade sobre os rumos da educação. Quando prioridades como aprendizagem, formação técnica, tempo integral e escuta ativa ganham espaço, o recado para as políticas públicas torna-se evidente.

“Ouvir os jovens é fundamental para construir respostas mais conectadas à realidade das escolas e garantir condições para que cada estudante e futuro profissional avance em sua trajetória com qualidade, equidade e perspectivas concretas para o futuro”, conclui a especialista.