Metade dos cursos de licenciatura EAD apresenta desempenho insatisfatório, aponta MEC

Mais da metade das faculdades de formação de professores na modalidade de Educação a Distância (EAD) no Brasil apresenta qualidade abaixo do padrão mínimo aceitável. Os dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) revelam um cenário alarmante para o futuro da carreira docente no país.

De acordo com o balanço, 51,8% das graduações EAD em pedagogia e licenciaturas obtiveram conceitos 1 ou 2 no Enade das Licenciaturas — as duas pontuações mais baixas do indicador de qualidade do ensino superior, consideradas insatisfatórias. Ao todo, 682 cursos a distância ficaram nesse patamar de reprovação.

Em contrapartida, quando observadas todas as graduações avaliadas (somando presenciais e a distância), os cursos que alcançaram notas de 3 a 5 (de nível regular a excelente) representam 56,8% do total. Os indicadores foram calculados com base no desempenho dos estudantes na Prova Nacional Docente (PND), realizada em outubro de 2025.

O Sinpro Mogi e Região alerta que as condições de trabalho desfavoráveis impactam a qualidade da educação e precisam ser revistas. Para isso, o fortalecimento do Sindicao, por meio de participação nas assembleias e maior sindicalização, se fazem necessárias.

Alerta para o futuro da educação básica e o abismo entre presencial e EAD

A baixa qualidade do ensino remoto acende um sinal vermelho para a formação de novos docentes e o futuro das salas de aula, tanto na rede pública quanto na privada. A modalidade EAD concentra a maior parte dos futuros professores do país: 60% dos participantes que concluíram o exame eram estudantes de cursos a distância.

O abismo pedagógico entre a formação presencial e a remota ficou evidente nos resultados de proficiência dos concluintes:

  • Licenciaturas presenciais: 73,9% dos formandos foram avaliados como proficientes.
  • Licenciaturas EAD: Apenas 46,9% dos concluintes atingiram o nível de proficiência.

A disparidade reforça as preocupações do setor educacional com a proliferação desmedida de cursos a distância sem suporte presencial adequado, laboratórios ou práticas pedagógicas em ambiente escolar real, comprometendo o preparo dos profissionais para lidar com os desafios cotidianos da sala de aula.

Avaliação abrangente nas licenciaturas

A divulgação do relatório do MEC e do Inep coincidiu com a celebração do Dia Nacional do Pedagogo. O exame avaliou estudantes de cursos presenciais e EAD de 14 áreas de conhecimento:

  • Humanas e Linguagens: Pedagogia, História, Geografia, Filosofia, Ciências Sociais, Artes Visuais, Música e Letras (Língua Portuguesa, Inglês e Espanhol).
  • Exatas e Biológicas: Matemática, Física, Química, Ciências Biológicas, Computação e Educação Física.

O diagnóstico evidencia a urgência de uma regulação mais rigorosa sobre as ofertas de graduação EAD, garantindo que a expansão do acesso à formação superior não ocorra em prejuízo da qualificação docente.