Ideb registra melhor resultado da série histórica, mas ensino médio ainda preocupa

Indicador mostra avanços nas três etapas da educação básica, com destaque para os anos iniciais do ensino fundamental; desafio agora é acelerar a aprendizagem e reduzir desigualdades

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 apresentou o melhor resultado da série histórica nas três etapas avaliadas: anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio. Divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), os dados mostram avanços em relação a 2023, mas também revelam que o país ainda enfrenta dificuldades para alcançar as metas estabelecidas para algumas etapas da educação básica.

Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o resultado combina três fatores: maior acesso à escola, redução das reprovações e melhora no desempenho dos estudantes.

“Avançamos, mas ainda há muito o que fazer.”

O Ideb é calculado a partir do desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), combinado às taxas de aprovação registradas pelo Censo Escolar. O índice varia de 0 a 10 e é divulgado a cada dois anos.

Anos iniciais têm maior avanço

Entre o 1º e o 5º ano do ensino fundamental, o Ideb passou de 6,0 em 2023 para 6,3 em 2025, superando a meta estabelecida para a etapa, que era de 6,0.

O crescimento é ainda mais expressivo quando considerada toda a série histórica. Em 2005, primeiro ano de medição do indicador, o Ideb dos anos iniciais era 3,8.

Segundo o MEC, essa foi a etapa que apresentou a evolução mais significativa ao longo dos 20 anos de existência do Ideb.

Nas redes públicas, o indicador também avançou, passando de 5,7 para 6,1 entre 2023 e 2025.

Anos finais avançam, mas ficam abaixo da meta

Nos anos finais do ensino fundamental, que correspondem do 6º ao 9º ano, o Ideb passou de 5,0 para 5,3. Apesar da evolução, o resultado ficou abaixo da meta de 5,5.

Em 2005, o índice dessa etapa era de 3,5.

O desempenho mais lento dos anos finais é apontado por especialistas como um dos principais desafios da educação brasileira. Para Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, parte da dificuldade pode estar relacionada ao acúmulo de defasagens ao longo da trajetória escolar.

“Quando os estudantes não aprendem nos anos iniciais conhecimentos muito básicos, eles poderão ter dificuldades ao longo de toda trajetória escolar.”

O especialista também chama atenção para as mudanças que acontecem nessa fase. Os estudantes passam a conviver com diferentes professores e disciplinas, ao mesmo tempo em que atravessam importantes transformações pessoais e sociais.

Para Proto, é necessário evitar que essa etapa seja associada apenas a conflitos e desinteresse.

“Precisamos superar o estigma cultural que associa essa fase a conflito e desinteresse.”

Ensino médio continua sendo o maior desafio

O ensino médio também registrou crescimento, mas permanece como o principal ponto de atenção dos resultados de 2025.

O Ideb da etapa passou de 4,3 em 2023 para 4,5 em 2025. Apesar de ser o maior resultado desde o início da série histórica, ainda está distante da meta de 5,2.

A dificuldade não é recente. Desde 2013, o ensino médio não consegue atingir as metas estabelecidas para o Ideb.

Em 2005, o índice era de 3,4. Ou seja, houve uma evolução ao longo de duas décadas, mas em um ritmo insuficiente para alcançar os objetivos previstos.

Nas escolas públicas, o Ideb do ensino médio passou de 4,1 para 4,3 entre 2023 e 2025.

Para o ministro da Educação, o próximo desafio deve ser justamente acelerar a aprendizagem.

“Chegou a hora de um novo salto para o futuro, que é a melhoria da aprendizagem.”

Desempenho dos estados

Os resultados também mostram avanços em grande parte dos estados brasileiros.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, todos os estados e o Distrito Federal apresentaram resultados superiores aos registrados em 2023.

Os maiores índices foram registrados por:

Paraná: 6,9
Ceará: 6,8
Espírito Santo: 6,4
Minas Gerais: 6,4
Goiás: 6,4

Nos anos finais do ensino fundamental, 24 unidades da Federação apresentaram crescimento em relação a 2023. O Paraná também liderou, com 5,9, seguido por Ceará e Goiás, ambos com 5,7.

No ensino médio, 23 estados registraram crescimento. O Distrito Federal foi a única unidade da Federação a apresentar queda nessa etapa.

Mais uma vez, o Paraná teve o maior resultado, com 5,1, seguido por Piauí, com 5,0, Espírito Santo, com 4,9, e Goiás, com 4,8.

Número de municípios com baixo Ideb diminui

Os dados também apontam uma mudança importante no desempenho dos municípios nos anos iniciais do ensino fundamental.

Em 2005, 4.110 municípios apresentavam Ideb de até 4,9. Em 2023, esse número havia caído para 1.097 e, em 2025, chegou a 442 municípios.

Apesar da redução, o MEC destaca que ainda existe um grupo de cidades que precisa de atenção específica.

Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, cerca de 70% dos municípios com Ideb abaixo de 5 registraram crescimento, embora em ritmo inferior ao previsto pelas metas do Plano Nacional de Educação (PNE).

Esses municípios deverão receber assistência técnica individualizada.

Próximo desafio será a aprendizagem com equidade

Os resultados do Ideb 2025 mostram uma trajetória de melhora importante, principalmente quando se considera a evolução acumulada desde 2005. Mas os números também deixam claro que melhorar o acesso e o fluxo escolar não é suficiente.

O desafio passa agora pela qualidade da aprendizagem, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, além da redução das desigualdades entre estudantes e redes de ensino.

O próximo ciclo do Ideb deverá incorporar as prioridades do novo Plano Nacional de Educação (2026–2036). Segundo o MEC, aprendizagem e equidade estarão no centro da próxima etapa.

O Ideb 2025 avaliou o desempenho de aproximadamente 14,5 milhões de estudantes nos anos iniciais do ensino fundamental, 11,2 milhões nos anos finais e 7,3 milhões no ensino médio.

Os resultados mostram, portanto, uma educação brasileira que avançou em 20 anos, mas que chega ao próximo ciclo com um desafio igualmente importante: transformar o aumento do acesso e da aprovação em aprendizagem efetiva para todos os estudantes.