Um levantamento sobre a remuneração de professores das redes municipais das capitais brasileiras revelou diferenças significativas entre os salários pagos aos docentes em início de carreira.
Segundo o estudo do Movimento Profissão Docente, os vencimentos iniciais variam de R$ 3.195 a R$ 10 mil em 2025, dependendo da cidade e da composição salarial adotada por cada rede de ensino.
A pesquisa analisou os salários de professores com licenciatura plena e jornada de 40 horas semanais nas 26 capitais do país. O estudo levou em consideração tanto o vencimento base quanto os valores acrescidos de gratificações pagas aos profissionais em regência de classe.

Diferença salarial entre capitais chama atenção
Sem considerar gratificações, Campo Grande aparece com o maior vencimento inicial do país, com R$ 8.851. Já Aracaju registra o menor valor entre as capitais, com R$ 3.195, abaixo do Piso Nacional do Magistério estabelecido para 2025.
Além da capital sergipana, Macapá e Belém também apresentam vencimentos-base inferiores ao piso nacional, fixado em R$ 4.867,77 para jornada de 40 horas semanais.
O estudo mostra que a desigualdade salarial não segue apenas critérios regionais. Capitais de diferentes regiões apresentam estruturas bastante distintas de remuneração, refletindo políticas locais de carreira e valorização docente.
Gratificações aumentam salários, mas reduzem segurança previdenciária
Quando entram as gratificações e adicionais pagos aos professores, o cenário muda consideravelmente. João Pessoa passa a liderar o ranking nacional, chegando a R$ 10 mil de remuneração inicial. Belém também sobe significativamente no levantamento graças aos benefícios complementares.
Apesar disso, especialistas alertam para um problema estrutural: grande parte da remuneração dos professores depende de gratificações que não são incorporadas à aposentadoria após a Reforma da Previdência de 2019.
Na prática, isso significa que muitos docentes recebem salários mais altos durante a atividade, mas acabam se aposentando com valores bem inferiores aos rendimentos da carreira.
Estrutura salarial preocupa professores
O levantamento identificou mais de 130 tipos diferentes de gratificações e vantagens pagas pelas capitais brasileiras. Em mais da metade das redes analisadas, existem cinco ou mais adicionais compondo o salário dos professores.
Essa fragmentação da remuneração, além de dificultar a transparência dos contracheques, também impacta diretamente o planejamento financeiro e previdenciário dos profissionais da educação.
Entre as capitais, Cuiabá aparece como exceção ao adotar o modelo de subsídio, no qual a remuneração é paga em parcela única, sem depender de gratificações extras.
Debate sobre valorização docente continua
Os dados revelam avanços em relação aos últimos anos, com a média nacional dos vencimentos iniciais acima do piso do magistério. Ainda assim, o estudo reforça que a valorização da carreira docente segue marcada por desigualdades e desafios estruturais.
Além da diferença entre capitais, o modelo de remuneração adotado pelas redes públicas levanta discussões sobre estabilidade financeira, aposentadoria e condições reais de valorização profissional.
Para professores que pretendem prestar concursos públicos, especialistas destacam a importância de analisar não apenas o salário total anunciado nos editais, mas principalmente o vencimento base, que será determinante para a aposentadoria no futuro.
