Insegurança nas escolas cresce e professores cobram mudanças no ECA

A sensação de insegurança no ambiente escolar tem se intensificado e já impacta diretamente o cotidiano docente. Uma pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP) revela que 92,5% dos professores defendem a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), diante do aumento de casos de agressão, ameaças e da percepção de impunidade nas escolas.

O levantamento ouviu mais de 1.100 professores das redes pública e privada do estado de São Paulo e mostra um cenário preocupante: 74,4% afirmam não se sentir seguros dentro da sala de aula ou no ambiente escolar.

Violência contra professores é realidade frequente

Os dados indicam que 65,6% dos docentes já sofreram algum tipo de agressão no trabalho. A violência verbal aparece como a mais recorrente, citada por 71,3% dos entrevistados, seguida por agressões de natureza psicológica e moral.

Além disso, quase um em cada cinco professores, 19,3%, relatou já ter sido vítima de violência física, especialmente em escolas das redes municipais e estaduais.

Falta de apoio e sensação de impunidade agravam cenário

Outro ponto destacado pela pesquisa é a percepção de falta de apoio institucional. Muitos professores relatam ausência de providências diante de situações de violência, o que contribui para a sensação de desamparo.

Entre os casos mais graves mencionados estão ameaças de morte, depredação de patrimônio escolar e agressões cometidas por familiares de alunos. Esse conjunto de fatores reforça a percepção de que o ambiente escolar, que deveria ser espaço de aprendizado e convivência, tem se tornado cada vez mais hostil para os profissionais da educação.

Debate sobre atualização do ECA ganha força

Para representantes do setor, o debate sobre a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente precisa considerar o equilíbrio entre a garantia de direitos e a responsabilização em casos de violência.

A discussão não questiona a importância do ECA, reconhecido como um instrumento fundamental de proteção, mas aponta para a necessidade de ajustes que respondam aos desafios atuais vividos dentro das escolas.

Diante desse cenário, o tema ganha relevância no debate educacional e reforça a urgência de políticas públicas que garantam segurança, respeito e condições adequadas de trabalho para os professores.