Educação em tempo integral: o que muda com a nova resolução do CNE

O Conselho Nacional de Educação (CNE) acaba de publicar a Resolução CNE/CEB nº 7/2025, trazendo novas diretrizes para a educação em tempo integral na educação básica. A principal definição: a jornada mínima será de 7 horas diárias ou 35 horas semanais.

Mais do que um aumento no tempo de permanência do aluno na escola, a resolução aponta para uma reestruturação completa da rotina escolar, desde o currículo até a gestão, com foco em equidade, inclusão, diversidade e gestão democrática.

QUAIS ETAPAS E ESCOLAS ESTÃO INCLUÍDAS

As novas regras abrangem Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, tanto em escolas públicas quanto privadas.
As redes de ensino poderão ter:

  • Escolas exclusivas de tempo integral: todas as turmas com jornada ampliada;
  • Escolas mistas: parte das turmas com jornada ampliada e parte com jornada parcial.

PRIORIDADE: COMBATER DESIGUALDADES

Um dos pontos centrais do texto é a focalização em territórios mais vulneráveis, onde o risco de evasão escolar é maior. O Programa Escola em Tempo Integral (ETI) será a principal estratégia para induzir matrículas nesse formato.

O QUE A RESOLUÇÃO TRAZ DE NOVO

Além da carga horária mínima, a norma determina que o tempo de alimentação, higiene, socialização e descanso também faz parte do processo educativo, devendo ser acompanhado por profissionais qualificados.
Mesmo deslocamentos internos, acolhimento e transição entre atividades passam a ser considerados momentos pedagógicos, especialmente para crianças pequenas.

SEIS ESTRATÉGIAS PARA A IMPLEMENTAÇÃO

A resolução define seis eixos que as redes e escolas precisam seguir:

  1. Acesso e permanência com equidade – Busca ativa, combate à evasão e respeito à diversidade.
  2. Gestão democrática – Escuta da comunidade escolar para planejar e avaliar a política.
  3. Articulação com o território – Parcerias com políticas sociais e organizações comunitárias.
  4. Currículo integrado – Superar a lógica de “turno” e “contraturno” e garantir participação em todas as atividades.
  5. Valorização dos educadores – Jornada de trabalho adequada, formação continuada e número suficiente de profissionais.
  6. Monitoramento e avaliação – Acompanhamento constante e divulgação de resultados para toda a rede.

O QUE MUDA PARA O PROFESSOR

Para o educador, a escola em tempo integral não significa apenas “mais horas em sala”. A proposta exige:

  • Planejamento de atividades diversificadas que dialoguem com o currículo formal e o desenvolvimento integral do estudante;
  • Integração com outros profissionais da escola e da comunidade;
  • Participação em processos de escuta e decisão sobre a rotina escolar;
  • Formação continuada para lidar com novos desafios pedagógicos e gestão do tempo.

PRAZO PARA ADEQUAÇÃO

As secretarias de educação de estados e municípios têm até 180 dias para criar ou atualizar sua legislação local com base na resolução.

O modelo de tempo integral proposto pelo CNE vai além de simplesmente “manter o aluno mais tempo na escola”. Ele busca repensar a experiência escolar como um todo, criando uma rotina que integre aprendizagem, cuidado, socialização e participação comunitária.
Para que funcione, será essencial valorizar os profissionais da educação e garantir condições reais para que esse tempo a mais na escola se traduza em mais oportunidades e melhor aprendizado para todos.