Você já imaginou ver uma ex-aluna da escola pública brasileira se formar em Harvard com a nota mais alta da turma? Pois foi exatamente isso que aconteceu com Sarah Aguiar Monteiro Borges, goiana, formada em Psicologia, e agora doutoranda em Cambridge.
Sarah é a primeira brasileira a vencer o Sophia Freund Prize, prêmio entregue a quem atinge o maior desempenho acadêmico entre quase 2 mil formandos da Universidade de Harvard. Além disso, ela se formou com a honraria summa cum laude, o mais alto reconhecimento acadêmico dos EUA.

De Goiânia a Harvard — com muito estudo e propósito
A trajetória de Sarah impressiona por diversos motivos. Ao lembrar do seu início, ela escreveu:
“Meu eu de 17 anos, que sequer tinha escrito uma redação em inglês, jamais imaginaria um dia se formar em Harvard com a maior nota da turma.”
Durante a graduação, Sarah foi bolsista e se destacou por sua pesquisa sobre o impacto do estigma na busca por atendimento em saúde mental, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade. Agora, no doutorado em Cambridge, ela pretende expandir esse trabalho, investigando quais formas de atendimento funcionam melhor — e em que contextos.
Tudo isso com apoio da prestigiada bolsa Gates Cambridge, uma das mais concorridas do mundo.
Liderança, impacto e representatividade
Sarah também deixou sua marca fora da sala de aula. Foi a primeira mulher brasileira a presidir a Harvard Association for Democracy in the Americas — organização estudantil que promove debates sobre democracia no continente.
Durante sua gestão, levou a conferência “Summit of the Americas” ao Brasil pela primeira vez em 30 anos. Um feito que chamou a atenção de colegas, como o ex-presidente da associação, Eduardo Vasconcelos, que a homenageou publicamente:
“Sarah é um exemplo vivo de que a criatividade, a curiosidade intelectual, a dedicação e a persistência de jovens não têm limites no mundo.”
O que os professores podem aprender com essa história?
Histórias como a de Sarah não são apenas inspiradoras — elas também nos mostram o potencial transformador da educação quando somado a oportunidades reais.
Sarah saiu de um contexto em que o acesso ao inglês, à pesquisa científica e às redes internacionais era limitado. Ainda assim, com apoio de professores, bolsas de estudo e muito esforço pessoal, construiu uma trajetória que agora impacta a vida de milhares.
Como professores, vale refletir:
- Quantas “Saras” passam pelas nossas salas de aula?
- O que podemos fazer para incentivar esse potencial — mesmo quando o aluno ainda não o enxerga?
O futuro que ela está ajudando a construir
Ao se despedir da graduação, Sarah resumiu sua jornada com a humildade e a clareza de quem sabe a importância de manter portas abertas para os outros:
“Saio com a convicção reforçada no poder de uma boa educação em abrir portas (e mentes) — e na importância de mantê-las abertas para todos.”
Para nós, educadores, a história de Sarah é um lembrete potente: a escola é, muitas vezes, o primeiro lugar onde um sonho grande começa a ganhar forma. Que possamos estar atentos, acolhedores e preparados para apoiar esses sonhos — mesmo (ou principalmente) quando eles parecem distantes.


