Uma nova edição da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), conduzida pela OCDE, mostra que os professores brasileiros enfrentam desafios significativos relacionados à disciplina em sala de aula e à valorização da profissão.
Segundo o levantamento, professores no Brasil gastam mais de 20% do tempo de aula apenas para manter a ordem, acima da média internacional de 16%. Mais de 50% relatam lidar com “barulho perturbador e desordem” durante as aulas, mais que o dobro da média da OCDE, que é de 20%.

O estudo revela ainda que a indisciplina afeta principalmente professores novatos, que enfrentam interrupções em sala com mais frequência do que os colegas experientes: 66% contra 53% no Brasil. Cerca de 43% a 44% dos docentes perdem muito tempo esperando os alunos ficarem quietos, enquanto a média da OCDE é de 15%.
Baixo reconhecimento e condições de trabalho
A pesquisa também aponta que apenas 14% dos professores brasileiros sentem-se valorizados na sociedade, bem abaixo da média da OCDE (22%). Além disso, 47% afirmam sofrer intimidação ou abuso verbal por parte dos alunos, índice muito superior à maioria dos países avaliados, que registram menos de 25%.
Outro dado preocupante: 72% dos professores brasileiros trabalham em regime de meio período, uma das maiores proporções entre os países participantes. O coordenador de políticas docentes do Movimento Profissão Docente, Caetano Siqueira, destaca que jornadas de 40 horas, preferencialmente com dedicação exclusiva a uma escola, aumentam a motivação, o vínculo com os alunos e os resultados de aprendizagem.
Mais da metade dos professores relata dificuldade em participar de formação continuada e desenvolvimento profissional, principalmente por incompatibilidade de horários com a carga de trabalho.
Como funciona a pesquisa Talis
Realizada desde 2008, a Talis avalia ambiente de ensino e aprendizagem, condições de trabalho dos professores e diretores, práticas pedagógicas, clima escolar, satisfação profissional e uso de tecnologias.
A quarta edição, de 2024, contou com cerca de 280 mil professores e diretores em 17 mil escolas de ensino fundamental II, em 55 sistemas educacionais. No Brasil, o levantamento foi conduzido pelo Inep, com coleta de dados entre junho e julho de 2023.


