Um estudo da FEA-USP identificou que, nas escolas de Minas Gerais, estudantes pretos tendem a receber notas inferiores às de colegas brancos com desempenho equivalente, mesmo considerando fatores como gênero, condição socioeconômica e resultados anteriores. A pesquisa apontou uma diferença de 10,9% nas notas, atribuída diretamente a um viés racial na avaliação, enquanto não foram observadas diferenças significativas entre estudantes brancos e pardos.

O papel da diversidade docente
As disparidades ocorreram principalmente em turmas ministradas por professores brancos. A pesquisadora Júlia Batista destaca que em escolas com corpo docente mais diverso ou quando o professor já conhece o aluno de anos anteriores, o viés tende a ser reduzido. Isso evidencia a importância da diversidade de professores na mitigação de desigualdades na avaliação.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado de Júlia Batista no Programa de Pós-Graduação em Economia da FEA, sob orientação do professor Ricardo Madeira. Para medir a proficiência real dos estudantes do terceiro ano do ensino médio, a economista comparou notas de matemática em sala de aula com os resultados do Proeb, uma avaliação externa que funciona como um “teste cego”, corrigido por máquina.
A escolha pela disciplina de matemática se deu por ser mais objetiva, permitindo uma análise mais clara da relação entre desempenho real e avaliação do professor.
Impactos do viés
Segundo a pesquisadora, essa diferença nas notas pode afetar a autoconfiança e motivação dos estudantes, influenciando decisões futuras sobre escolhas de cursos e carreiras. Ela ressalta que o objetivo da pesquisa não é julgar os professores como preconceituosos, mas apresentar evidências do viés racial nas avaliações.
Contexto e dados do estudo
Minas Gerais foi escolhida pela diversidade racial da rede estadual de ensino. Segundo o Censo Escolar de 2022:
- 34,3% dos alunos são brancos;
- 48,3% pardos;
- 6,8% pretos.
Os dados utilizados pela pesquisadora foram obtidos junto à Secretaria de Educação de Minas Gerais e ao Instituto Unibanco, com acesso seguro e restrito aos registros do Censo Escolar e boletins escolares, garantindo sigilo e confiabilidade da análise.


